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Sobre

Querido(a) irmão(ã),

A revista O ESPÍRITA, fundada em 3 de outubro de 1978, jamais deixou de circular em seus 37 anos de existência.

Levando para todo o Brasil e também para o exterior a mensagem consoladora do Espiritismo Cristão, com a pureza e a beleza propostas por nossos benfeitores sob a égide de Jesus Cristo.

Cabe colocar, que muitas casas espíritas carentes, mormente no interior do país, onde há enorme falta de material de divulgação, estão recebendo gratuitamente O ESPÍRITA. Por esta razão, solicitamos à sua nobre consciência, que contribua com este projeto, na condição de assinante, para que possamos custear as edições da revista impressa, as postagens dos exemplares que serão remetidos em seu nome e a distribuição gratuita para centenas de instituições espíritas.

Ao efetivar sua contribuição, você estará viabilizando a continuação deste trabalho e apoiando os redatores, que lutam com denodo para manterem erguida a bandeira da Nova Fé, e que arcam com os custos de produção, sem nada receber pelos serviços prestados.

Que não nos falte a sensibilidade espiritualizada, entendendo que a luta pela vitória do bem é da responsabilidade de todos.

Artigos

A vocação para o casamento

Indubitavelmente, a felicidade é a aspiração primeira do ser humano. Ninguém jamais deixou de procurá-la, sonhando tê-la como nume tutelar de sua existência.

Alguns esperam consegui-la cedendo à inclinação que os impele para a dignidade sacerdotal ou religiosa, mantendo-se, castamente, no celibato. Mas são poucos. Constituem a exceção.

A esmagadora maioria espera encontrá-la mesmo é no casamento. Natural que seja assim, pois é propósito da sabedoria divina que o homem e a mulher, sendo um, complemento do outro, se unam intimamente para alcançarem a plenitude da vida.

Tal o sentido das Escrituras, quando preceituam: “Deixará o homem o seu pai e a sua mãe, unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” (Gen., 2:24).

Conquanto seja unânime a expectativa da felicidade no casamento, várias são as razões que levam as criaturas a contraí-lo. Por isso, enquanto uns colhem, na vida conjugal, farta messe de alegrias, prazeres e bem-estar, outros, ao contrário, só encontram nela angústias, frustrações e sofrimentos.

É que para formar um lar tranqüilo e feliz não basta que os cônjuges se tenham unido por necessidade de amor e companheirismo, pelo anseio de dar-se inteiramente a alguém ou pelo desejo de possuir um lar e filhos, razões estas que oferecem as maiores probabilidades de sucesso nas relações do casal. O casamento é algo muito complexo e seu êxito depende de uma série de fatores, alguns dos quais serão focalizados mais adiante.

Em seu entusiasmo fácil, muitos jovens o encaram com exagerado otimismo, acreditando-se aptos para superar todo e qualquer obstáculo que ameace a concretização de suas fagueiras esperanças.

Não se dão conta de que a união de dois seres, criados e educados, quase sempre, em famílias, escolas, níveis sociais e lugares diferentes, requererá de ambos uma reformulação permanente de costumes, interesses, opiniões e sentimentos, sem o que acabará, como tantas, em desencanto e fracasso.

Que dizer-se, então, dos que se casam por conveniência ou vanglória? Por pressão dos familiares, que desejam vê-los assentes na vida? Para não precisarem comer em restaurantes e terem alguém que lhes cuide das roupas, vendo no casamento apenas o melhor jeito de resolverem tais problemas domésticos?

Ou, o que é mais freqüente no lado feminino, apenas para fugirem ao estigma de solteironas? Por dificuldades de relacionamento com os pais ou irmãos?

Para não lhe serem “pesadas”, economicamente?

Para se livrarem de empregos ou trabalhos espinhosos?

O casamento forçado, ou seja, aquele em que o homem é compelido a desposar uma moça por havê-la engravidado, conta, igualmente, com escassas possibilidades de alcançar resultado satisfatório.

Quando duas pessoas são obrigadas a se unirem apenas por não terem podido resistir a uma violenta impulsão biológica, não raro vêm a separar-se logo em seguida e, se continuam juntas, mal se suportam, nutrindo, ambas, um amargo ressentimento e a sensação de terem sido logradas.

No homem, principalmente, este ressentimento costuma ser acompanhado de franca hostilidade àquela que o acorrentou ao seu destino, criando-se, assim, um péssimo ambiente para o filho, cujo futuro será bastante comprometido.

Sabendo-se, como se sabe, que a felicidade conjugal depende de que marido e mulher fusionem harmoniosamente suas personalidades, tornando-se como que uma só pessoa, parece evidente que, naquelas uniões em que o coração não intervenha será bem mais difícil possam eles estabelecer uma base estável e sadia que lhes permita enfrentarem, juntos, as vicissitudes da existência sem conflitos.

Desde, porém, que ambos estejam dispostos a envidar todos os esforços necessários à colimação desse objetivo, será possível que o consigam.

Não se tem visto tantos casais, sinceramente enamorados um do outro, que começaram a união conjugal às mil maravilhas e depois vieram a separar-se por insanável desentendimento?

Em contraposição, não se conhece, também, inúmeros matrimônios inconseqüentes que, malgrado os prognósticos desfavoráveis, acabaram dando certo, sendo muito bem sucedidos?

A razão é que cada casamento será, sempre, qual os esposos o façam.

“A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado.” (Allan Kardec, “O Livros dos Espíritos”, q. 938)

“O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, se bem que em condições diversas. Abolir o casamento seria regredir à infância da Humanidade e colocar o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.” (Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, q. 696).

“Não te esqueças de que casar-se é tarefa para todos os dias, porquanto somente da comunhão espiritual gradativa e profunda é que surgirá a integração dos cônjuges na vida permutada, de coração para coração, na qual o casamento se lança sempre para o Mais Alto, em plenitude de amor eterno.” (Francisco Cândido Xavier, Emmanuel, “Na Era do Espírito”, cap. 11).

Autor: Rodolfo Calligaris Livro: A vida em família
O Centro Espírita

A medida que a Doutrina Espírita alcançava as mentes e os corações ansiosos de esclarecimento e consolo, aumentando a carga de trabalho do ínclito Codificador eis que ele fundou a 1º de Abril de 1858 a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que funcionou inicialmente na galeria de Valois, n° 35 em Palais-Royal.

Pára que ficassem definidos os seus objetivos, declarou-os no Artigo 1° do seu Regulamento:

— Tem por finalidade precípua o estudo dos fenômenos espíritas e das suas aplicações, as manifestações morais, físicas, psicológicas e históricas da sociedade.

Como continuasse a crescer o número de interessados no estudo dos postulados espiritistas, providenciou a ampliação do Regulamento ainda no mesmo ano, de forma a compatibilizar os interesses gerais com os fundamentos doutrinários da novel Ciência filosófica e religiosa.

Esse cuidado especial do mestre lionês preservaria a mensagem reveladora dos enxertos e adulterações que sempre ocorrem, na razão direta em que se expandem, em que se popularizam as idéias novas.

Dessa forma, aquela Sociedade se tornaria o primeiro Centro Espírita onde os debates saudáveis e os desdobramentos dos conteúdos científicos, filosóficos, morais e religiosos da Doutrina encontrariam campo para serem aprofundados.

Sob a sua presidência, as discussões permaneciam em alto nível e quando se tornavam acaloradas, a sua intervenção sábia acalmava os ânimos a sua autoridade moral e cultural silenciava os mais renitentes. Outrossim, ali teriam lugar as memoráveis tertúlias espirituais, quando venerandas Entidades, utilizando-se de médiuns sérios e dedicados ofereciam lições ricas de sabedoria consolando e iluminando os membros atenciosos interessados no próprio desenvolvimento intelecto-moral bem como no da Humanidade para a qual veio o Espiritismo.

Dirimiam-se dificuldades de interpretação e consolidavam-se no seu recinto as bases do pensamento espírita com vistas ao porvir da sociedade humana.

Exemplo, verdadeiro modelo de instituição, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas deixou precioso legado, que o Centro Espírita moderno atualiza e mantém.

Célula máter do Movimento por facultar-lhe o desenvolvimento e propagá-lo, é escola de relevante importância para quantos se interessam pelo Espiritismo.

É escola, por oferecer os mais significativos recursos culturais para a educação das almas, encarnadas ou não.

No seu labor desdobram-se as instruções que capacitam o aprendiz à conquista de uma existência feliz, enquanto adquire discernimento para conduzir-se com acerto.

Ao mesmo tempo, propõe o limar das arestas e o disciplinar da conduta, aprimorando-a e condicionando-a às lições éticas do Evangelho de Jesus, desvelado pela interpretação racional que haure na Codificação.

Doutrina eminentemente educativa, o Espiritismo tem a ver com todos os ramos do conhecimento, por isso mesmo conclamando ao seu estudo sistematizado e cuidadoso, bem como à sua reflexão meticulosa. Nas suas classes ressaltam os valores da inteligência e da razão para serem cultivados, aplicados no comportamento como roteiro de segurança.

Igualmente é oficina de trabalho, por ensejar atividades múltiplas em benefício do próximo e da comunidade.

Sem lugar para a ociosidade dourada ou para a indiferença mórbida, a ação dignificadora nele se desdobra em mil expressões que elevam o ser. completando-o, planificando-o, dando-lhe sentido psicológico a existência planetária.

Desde a sua administração na busca incessante de qualidade até os serviços mais humildes quão indispensáveis, é celeiro de paz que resulta da valiosa aplicação das horas dos seus membros no trabalho libertador.

Da mesma forma é templo de oração, destituído de ritualística, de cerimonial, de qualquer tipo de culto externa, caracterizando-se pela simplicidade, sendo agradável e propicio à elevação dos pensamentos a Deus e à ação da caridade em todas as suas expressões.

Nas suas dependências devam ser preservadas os valores morais, a compostura, a dinâmica do amor, a fim de que a perfeita sintonia com Deus Jesus e os Espíritos Nobres tornem-no ambiente saturado por sutis vibrações, que proporcionam a paz e a renovação.

Lugar de reequilibrio e de harmonia, é, também, hospital de almas no qual terapias especializadas—passes água fluidificada (bioenergia), oração, desobsessão e iluminação de consciência —facultem a saúde do corpo, da mente e do espírito, emulando o paciente ao avanço, à vitória sobre si mesmo, sobre as paixões primitivas, que nele predominam.

Não pode ser confundido, porém, com Nosocômios, Casas de Saúde, Clinicas Médicas e semelhantes, competindo com as mesmas, portadoras de bases acadêmicas, pois que desvirtuaria a sua finalidade essencial passando a conflitar com as Entidades especializadas no mister, as quais deve auxiliar e não produzir perturbação.

No seu ambiente não há lugar para exibicionismo de natureza alguma que faça recordar os palcos do mundo, nos quais se projetam os conflitos do ego humano e as lutas características das naturais promoções competitivas do ser.

Tampouco, pode agasalhar ou dar curso às inovações que ressumam do orientalismo ancestral ou das terapias alternativas atuais, desfigurando-/he, entorpecendo-lhe a finalidade superior.

O Centro Espírita é laboratório para experiências, pesquisas mediúnicas elevadas e cumulativas, que confirmam sempre os postulados básicos exarados nas Obras fundamentais que Allan Kardec divulgou, completando a Codificação.

Não é estanque o trabalho que nele se desenvolve, também não é fruto dos modismos; é isento de ortodoxias ou de atavismos; não enseja novidades frívolas ou aterradoras, muito do agrado daqueles que pensam nas glórias vãs da Terra em detrimento da responsabilidade e da seriedade que sempre devem constituir os seus programas.

O Centro Espírita é campo de luz aberto a todos aqueles que tateiam nas trevas da ignorância, da presunção e do egoísmo apontando rumos de libertação.

Atualizá-lo, sem lhe modificar os objetivos básicos; desenvolver as suas atividades, sem lhe alterar as estruturas ético-morais; qualificá-lo para os grandes momentos da hora presente como do futuro é dever de todos os espíritas, preservando as bases doutrinárias que nele devam viger: amor e estudo, ação da caridade fora da qual não há salvação, assim confirmando a promessa do Consolador, feita por Jesus, que abriria os braços para albergar, confortar e libertar todos aqueles que o busquem.


Autor: Espírito Vianna de Carvalho Médium Divaldo Pereira Franco Página psicografada no dia 25 de julho de 1995, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.
Autoconsciência

À medida que o ser amadurece psicologicamente, podendo discernir o que deve e pode fazer em relação ao que pode mas não deve ou deve porém não pode realizar, surge a autoconsciência que o predispõe ao crescimento interior livre de conflitos e tribulações.

Normalmente, nos períodos primordiais do desenvolvimento moral e espiritual, predominam em sua faculdade de agir os conceitos que lhe chegam do exterior, as opiniões conflitivas que o cercam, as diretrizes que são estabelecidas por outras pessoas que se acreditam possuidoras de valores que podem orientar vidas. Não raro, porém, esses comportamentos contraditórios que se chocam uns contra os outros, mais confundem as pessoas do que as direcionam para os fins enobrecidos da existência, por estarem quase sempre assinalados pelas paixões pessoais, nas quais predomina o ego em detrimento dos sentimentos solidários.

O principiante, manipulado por uns e outros, em tais circunstâncias perde-se no báratro estabelecido e sem experiência ruma em direções confusas, descobrindo-se enganado, desconsiderado nos ideais que busca, logo tombando, não poucas vezes, na descrença e no desencanto.

Quando, porém, aprende a ouvir e a reflexionar, examinando as informações ministradas e cotejando-as com o conhecimento exarado na experiência do século, realizando suas próprias investigações, torna-se capaz de avaliar os exageros que defluem dos entusiasmos inoportunos, as precauções descabidas que são comuns aos temperamentos tímidos ou cépticos, passando a construir os alicerces para as suas crenças na lógica, na vivência pessoal, e a todos respeitando, mas não os levando em consideração naquilo que diz respeito às suas opiniões e caprichos informativos.

Esse processo demanda tempo e experiência, mediante os quais são avaliadas as propostas do conhecimento e as necessidades do sentimento.

Estagiando cada indivíduo em nível de consciência diferente, que corresponde às conquistas pessoais da emoção e do desenvolvimento intelectual, o mesmo acontecimento é visto de maneira mui pessoal, conforme o grau de percepção e análise individual.

Eis porque as experiências podem ser apresentadas a todos de maneira uniforme, mas cada um é convidado a vivenciá-las de forma própria e de acordo com os recursos que lhe estão disponíveis.

Nunca se apresentam duas experiências iguais para tipos diferentes. O acontecimento pode ter características semelhantes, mas sucederá de maneira bem especial de cada um, face à diversidade de enfrentamento que surge no momento de executá-lo.

A autoconsciência desvela recursos inesgotáveis que permanecem adormecidos, aguardando o momento hábil para manifestar-se. É semelhante ao agradável calor que faz desabrochar a vida, amadurecer os frutos e alegrar os corações após invernia demorada e destrutiva.

Aprende a observar para agir com segurança.

Não te permitas influenciar por opiniões apressadas e sem estrutura lógica mesmo que aureoladas por atraentes configurações.

Águas paradas não refletem apenas paz, mas ocultam estagnação e morte.

A experiência é estrada atraente e desafiadora, que cada pessoa deve percorrer com os próprios pés.

Os atavismos que remanescem na conduta e na reflexão mental, tendem a conduzir o individuo às repetições de comportamentos já vivenciados, sem permitirem o despertar de maior interesse pelas novas expressões da realidade.

Os hábitos da meditação em torno dos pensamentos vitalizados deve constituir um processo de amadurecimento das idéias, a fim de que passem a ter significado útil propiciador de crescimento íntimo.

Passo a passo, a mente se dilata e a compreensão dos objetivos existenciais se faz mais clara, ensejando mais harmonia interna e encantamento exterior em relação aos quadros de incomparável beleza que emolduram as paisagens.

Nesse crescimento íntimo, os fatores que geram medo, amargura, insegurança, ansiedade, são diluídos pela autoconsciência que se firma nos painéis delicados do Espírito, tornando-se mecanismo de segurança e de harmonia.

Herdeiro das realizações do passado, o ser desperta sob os camartelos dos atos perturbadores, mas também sob a inspiração das idéias enobrecidas que passearam pela sua mente e, de alguma forma, constituíram motivo de iluminação e de razão.

Havendo predominância das heranças nefastas, ressumam como conflitos e tormentos, que podem ser decodificados pela claridade dos ensinamentos morais do Evangelho de Jesus, que convida a mudanças de comportamento através de bem sucedida sintonia com os ideais de beleza, de fraternidade, de caridade.

Descobre que o seu é o destino estelar e que marcha inexoravelmente no rumo da Grande Ventura, sendo os impedimentos momentâneos desafios que lhe cumpre vencer.

Sem abandonar os valiosos contributos que lhe vêm do mundo externo, vivencia as nobres expressões do pensamento, superando obstáculos e superando-se no que diz respeito às tendências para a sombra, o vulgar, o já realizado...

A autoconsciência desabrocha e a vida adquire sentido profundo e encantador.

O mal dos maus já não faz qualquer mal.

As perseguições da inveja e da inferioridade não mais atingem os sentimentos enobrecidos. A calúnia não encontra ressonância nos painéis da emoção. A maledicência não cria embaraços impeditivos.

E o ser avança autoconsciente do que deve fazer, porque realizá-lo e para que esforçar-se para a preservação da sua paz pessoal e, por extensão, pela de todos.

Um homem desejou construir um lar para viver tranqüilamente com a família. Mandou um engenheiro e um arquiteto planejarem a casa e os detalhes que lhe pareciam mais convenientes para uma residência cômoda e prazenteira.

Quando começou a construção, recebeu a visita de um amigo, que apresentou várias sugestões mudando o plano inicial.

Entusiasmado com as opiniões, pediu aos técnicos que corrigissem os alicerces, redesenhassem algumas linhas e, com despesas a mais, conseguiu alterar o primeiro projeto.

Posteriormente, outro amigo, e mais tarde outro mais, trouxeram opiniões descabidas que redundaram em alterações absurdas e gastos exagerados.

Ao terminar a construção, a mesma se tornou inabitável, estranha.

Calmamente, ele convocou os mesmos engenheiro e arquiteto e disse como desejava a sua futura casa.

Iniciada a obra, veio alguém apresentar-lhe sugestão, ao que ele contestou:

— Esta casa é para mim e irei fazê-la conforme acredito ser comodidade após ouvir os especialistas em construção. Não alterarei nada, a fim de atender às descabidas opiniões dos amigos, porque a casa dos amigos é aquele monstrengo que abandonei. Está será a minha casa conforme penso e desejo...

A autoconsciência tem dimensão do que é melhor para quem o deseja.


Autora: Espírito Joanna de Ângelis Médium: Divaldo Pereira Franco Página psicografada no dia 14 de maio de 2001, em Düsseldorf, Alemanha.
A razão de ser do Espiritismo

Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.

Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.

Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.

Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.

As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.

Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.

Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.

O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.

Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de idéias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinqüentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.

O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam...

Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqüi, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.

Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que se vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.

Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.

Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas seqüelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.

A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.


Autor: Espírito Victor Hugo Médium: Divaldo Pereira Franco Página psicografada no dia 7 de junho de 2001, em Paris, França.

Mensagens

Aborto delituoso

Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião.

Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais...

Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância...

Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinqüência, erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão.

Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza...

Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.

Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a bênção da luz.

Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!

Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio, nos recintos familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetrastes.


Autor: Espírito Emmanuel. Médium: Francisco Cândido Xavier. Obra: Religião dos Espíritos.
Decálogo da vontade
"Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito". (Allan Kardec - E.S.E., Cap. IX, ltem 10)

Poupe-me à tentação, antes que me fortaleça, e eu o salvarei dos vícios futuros. Ainda sou muito jovem no equilíbrio.

Conduza-me ao dever e eu o ajudarei no caminho evolutivo. Necessito de um serviço nobre para manter-me.

Inspire-me a caridade e eu enflorescerei as avenidas de sua alma. Tenho sede de crescimento.

Impila-me ao trabalho e eu expulsarei de seu lar interior a preguiça destruidora. É imprescindível que ocupe minhas horas.

Ajude-me na resistência, oferecendo-me a oração, e eu deixarei asseada sua casa mental. Requeiro imediato auxílio para não desfalecer.

Exercite-me na inspiração do bem e eu o coroarei de luz. Tenho sido servidora da indolência e preciso de renovação.

Procure conhecer-me com mais atenção e o farei feliz. Sou velha amiga que a indiferença venceu.

Conceda-me nova oportunidade, quando eu tombar, e lhe darei força desconhecida. Lembre-se de que sou vulnerável à reincidência.

Evite-me os embates muito rudes, no momento, e vencerei para a sua paz todas as forças negativas que trabalham contra você. Necessito de tempo para fortalecer-me.

Tenha paciência comigo e, juntos, chegaremos à felicidade plena. Nasci com você e nunca nos separaremos. Ajude-me e o farei livre.


Autor: Espírito Marco Prisco Médium: Divaldo Pereira Franco Obra: Glossário Espírita-Cristão.
Mensagem de Bezerra de Menezes

Filhas e filhos da alma!

Abençoe-nos o Senhor com a sua paz.

Estes são dias de turbulência.

A sociedade terrestre, com a inteligência iluminada, traz o coração despedaçado pela angústia do ser existencial. Momento grave na historiografia do processo evolutivo, quando se operam as grandes mudanças para que se alcance a plenitude na Terra, anunciada pelos Espíritos nobres e prometida por Jesus. Nosso amado planeta, ainda envolto em sombras, permanece na sua categoria de inferioridade, porque nós, aqueles que a ele nos vinculamos, ainda somos inferiores, e à medida que se opera nossa transformação moral para melhor, sob a égide de Jesus, nosso modelo e guia, as sombras densas vão sendo desbastadas para que as alvíssaras de luz e de paz atinjam o clímax em período não muito distante.

Quando Jesus veio ter conosco, a humanidade experimentava a grande crise de sujeição ao Império Romano, às suas paixões totalitárias e aos interesses mesquinhos de governantes arbitrários. O Espiritismo, a seu turno, instalando-se no planeta, enfrenta clima equivalente em que o totalitarismo do poder arbitrário de políticas perversas esmaga as aspirações de enobrecimento das criaturas humanas e, por consequência, o ser, que se agita na busca da plenitude, aturde-se e, confundindo-se, não sabe como vivenciar as claridades libertadoras do Evangelho.

Com a conquista do conhecimento científico e o vazio existencial, surgem as distrações de vários portes para poder diminuir a ansiedade e o desespero. Naturalmente, essa manifestação de fuga da realidade interfere no comportamento geral dos seareiros da Verdade que, nada obstante, considerando serem servidores da última hora, permitem-se os desvios que lhes diminuem a carga aflitiva.

Tende, porém, bom ânimo, filhas e filhos do coração!

É um momento de siso, de decisões, para a paz no período do porvir.

Recordai-vos de que o Cristianismo nascente experimentou também inúmeras dificuldades. A palavra revolucionária do apóstolo Paulo, a ruptura com as tradições judaicas ainda vigentes na igreja de Jerusalém geraram a necessidade do grande encontro, que seria o primeiro debate entre os trabalhadores de Jesus que se espalhavam pelo mundo conhecido de então.

No momento grave, quando uma ruptura se desenhava a prejuízo do Bem, a humildade de Simão Pedro, ajoelhando-se diante da voz que clamava em toda parte a Verdade, pacificou os corações e o posteriormente denominado Concílio de Jerusalém se tornou um marco histórico da união dos discípulos do Evangelho.

Neste momento de desafio e de conflitos de todo porte, é natural que surjam divergências, opiniões variadas, procurando a melhor metodologia para o serviço da Luz. O direito de discordar, de discrepar, é inerente a toda consciência livre. Mas, que tenhamos cuidado para não dissentir, para não dividir, para não gerar fossos profundos ou abismos aparentemente intransponíveis.

Que o espírito de união, de fraternidade, leve-nos todos, desencarnados e encarnados, à pacificação, trabalhando essas anfractuosidades para que haja ordem em nome do progresso.

O amor é o instrumento hábil para todas as decisões. Desarmados os corações, formaremos o grupo dos seres amados do ideal da Era Nova.

Nunca olvideis que o mundo espiritual inferior vigia as nascentes do coração dos trabalhadores do Bem e, ante a impossibilidade de os levar a derrocadas morais, porque vigilantes na oração e no trabalho, pode infiltrar-se, gerando desequilíbrio e inarmonias a benefício das suas sutilezas perversas e a prejuízo da implantação da Era Nova sob o comando do Senhor.

Nunca olvidemos, em nossas preocupações, que a Barca terrestre tem um Nauta que a conduz com segurança ao porto da paz.

Prossegui, lidadores do Bem, com o devotamento que se vos exige de fazerdes o melhor que esteja ao vosso alcance, em perfeita identificação com os benfeitores da humanidade, especialmente no Brasil, sob a égide de Ismael, representando o Mestre inolvidável.

Venceremos lutando juntos, esquecendo caprichos pessoais, de imposições egotistas, pensando em todos aqueles que sofrem e que choram, que confiam em nossa fragilidade e aguardam o melhor exemplo da nossa renúncia em favor do Bem, do nosso devotamento em favor da caridade, da nossa entrega em novo holocausto.

Já não existem as fogueiras, nem os empalamentos. Os circos derrubaram as suas muralhas e agora expandem as suas fronteiras por toda a Terra, mas o holocausto ainda se faz necessário.

Sacrificai as próprias imperfeições, particularmente neste sesquicentenário de evocação da chegada do Evangelho à Terra, decodificado pelos Imortais.

Recordai também, almas queridas, que o Espiritismo é, sem qualquer contradita, o Cristianismo que não pôde ser consolidado e que esteve na sua mais bela floração nos trezentos primeiros anos, antes das adulterações nefastas, e que foi Jesus quem o denominou Consolador.

Este Consolador sobreviverá a todas as crises e quando, por alguma circunstância, não formos capazes de dignificá-lo, a irmã morte arrebatará aqueles que não correspondem à expectativa do Senhor da Vinha, substituindo-os por outros melhormente habilitados, mais instrumentalizados para os grandes enfrentamentos que já ocorrem na face do planeta.

Todos sabemos que a transformação moral de cada indivíduo é penosa, de longo curso, por efeito do atavismo ancestral, e que a Lei dispõe do recurso dos exílios coletivos para apressar a chegada da Era Nova.

Abençoados servidores! Abençoadas servidoras da Causa! Amai! Amai com abnegação e espírito de serviço a Doutrina de santificação, para que os vossos nomes sejam escritos no livro do reino dos Céus e possais fruir de alegrias, concluindo a etapa como o apóstolo das gentes, após haverdes lutado no bom combate.

Os mentores da brasilidade, neste momento grave por que também passa o nosso país, assim como o planeta, estão vigilantes.

Permiti-vos ser por eles inspirados e saí entoando o hino do otimismo e da esperança, diluindo a treva, não fixando o medo nem a sombra, que por momento domina muitas consciências. Não divulgando o mal, somente expondo o bem, para que a vitória não seja postergada.

E ide de volta, seareiros da luz! O mundo necessita de Jesus, hoje mais do que ontem, muito mais do que no passado, porque estamos a caminho da intuição, após a conquista da razão, para mantermos sintonia plena com aquele que é o nosso guia de todos os dias e de todas as horas.

Muita paz, filhas e filhos do coração!

São os votos do servidor humílimo e paternal, em nome dos obreiros da seara de todos os tempos, alguns dos quais aqui conosco nesta hora.


Autor: Bezerra de Menezes. Médium: Divaldo Pereira Franco. Obra: (Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, DF, na manhã de domingo, em 9 de novembro de 2014.).
Ante o divórcio

Toda perturbação no lar, frustrando-lhe a viagem no tempo, tem causa específica. Qual acontece ao comboio, quando estaca indebitamente ou descarrila, é imperioso angariar a proteção devida para que o carro doméstico prossiga adiante.

No transporte caseiro, aparentemente ancorado na estação do cotidiano (e dizemos aparentemente, porque a máquina familiar está em movimento e transformação incessantes), quase todos os acidentes se verificam pela evidência de falhas diminutas que, em se repetindo indefinidamente, estabelecem, por fim, o desastre espetacular.

Essas falhas, no entanto, nascem do comportamento dos mais interessados na sustentação do veículo ou, propriamente, do marido e da mulher, chamados pela ação da vida a regenerar o passado ou a construir o futuro pelas possibilidades da reencarnação no presente, falhas essas que se manifestam de pequeno desequilíbrio, até que se desencadeie o desequilíbrio maior.

Nesse sentido, vemos cônjuges que transfiguram conforto em pletora de luxo e dinheiro, desfazendo o matrimônio em facilidades loucas, como se afoga uma planta por excesso de adubo, e observamos aqueles outros que o sufocam por abuso de sovinice; notamos os que arrasam a união conjugal em festas sociais permanentes e assinalamos os que a destroem por demasia de solidão; encontramos os campeões da teimosia que acabam com a paz em família, manejando atitudes do contra sistemático, diante de tudo e de todos, e identificamos os que a exterminam pelo silêncio culposo, à frente do mal; surpreendemos os fanáticos da limpeza, principalmente muitas de nossas irmãs, as mulheres, quando se fazem mártires de vassoura e enceradeira, dispostas a arruinar o acordo geral em razão de leve cisco nos móveis, e somos defrontados pelos que primam no vício de enlamear a casa, desprezando a higiene.

Equilíbrio e respeito mútuo são as bases do trabalho de quantos se propõem garantir a felicidade conjugal, de vez que, repitamos, o lar é semelhante ao comboio em que filhos, parentes, tutores e afeiçoados são passageiros.

Alguém perguntará como situaremos o divórcio nestas comparações. Divorciar, a nosso ver, é deixar a locomotiva e seus anexos. Quem responde pela iniciativa da separação decerto que larga todo esse instrumental de serviço à própria sorte e cada consciência é responsável por si. Não ignoramos que o trem caseiro corre nos trilhos da existência terrestre, com autorização e administração das Leis Orgânicas da Providência Divina e, sendo assim, o divórcio, expressando desistência ou abandono de compromisso, é decisão lastimável, conquanto às vezes necessária, com raízes na responsabilidade do esposo ou da esposa que, a rigor, no caso, exercem as funções de chefe e maquinista.


Autor: Espírito Emmanuel Médium: Divaldo Pereira Franco
À luz do Espiritismo

A história da Humanidade tem, no livro nobre, seu glorioso repositório. Em todos os tempos o livro tem sido o condutor das mentes e o mensageiro da vida.

O Mahabharata, que remonta ao século XVI antes de Cristo, narrando as guerras dos Coravas e Pandavas, é o ponto de partida do pensamento lendário da India, apresentando Krishna, no excelente Bagavadgita, a expor a Ardjuna incomparável filosofia mística onde repontam as nobres revelações palingenésicas.

A Bíblia - antigo Testamento - historiando as jornadas de Israel, oferece a concepção sublime do deus Único, Soberano e Senhor de todas as coisas.

Platão, cuja filosofia tem por método a dialética, expondo os pensamentos de Sócrates, seu mestre, nos jardins de Academos, coroa sua obra com a harmoniosa teoria das idéias, afirmando, no memorável "Fédon!, "que viver é recordar" e expressando a cultura haurida no Egito, onde recebera informações sobre a doutrina dos renascimentos.

O Evangelho de Jesus Cristo, traduzido para todos os idiomas e quase todos os dialetos do globo, faz do amor o celeiro de bênçãos da Humanidade.

O Alcorão, redigido após a morte de Maomé e dividido em 114 suratas ou capítulos, constitui a base de toda a civilização muçulmana, fonte única da verdade, do direito, da justiça...

Sem desejarmos reportar-nos à literatura mundial, não podemos, entretanto, esquecer que Agostinho, através das suas Confissões, inaugurando um período novo para o pensamento, abriu as portas para o estudo da personalidade, numa severa autocrítica, e que Tertuliano, com a Apologética, iniciou uma era para o Cristianismo que se mescla, desde então, com dogmas e preceitos que lhe maculam a pureza, através de sutilezas teológicas.

Dante, o florentino, satirizando seus inimigos políticos, apresentou uma visão mediúnica da vida além-túmulo.

Monge anônimo sugeriu uma Imitação de Cristo como vereda de sublimação para a alma encarnada...

Nostradamus, astrólogo e médico, escreveu sibilinamente as Centúrias, gravando sua visão profética do futuro.

Camões, com pena de mestre, compôs Os Lusíadas e registra os feitos heróicos de Portugal, repetindo os lances de Flávio Josefo em relação aos judeus e dos historiadores greco-romanos de antes de Jesus Cristo.

Depois do Renascimento, como advento da imprensa, o campo das idéias sofreu impacto violento, graças à força exuberante do livro. Pôde, então, o mundo pensar com mais facilidade.

A Revolução Francesa é o fruto do livro enciclopédico, com ela nascendo as lutas de independência de todo o Novo Continente, inspiradas nas páginas épicas da liberdade.

Artur Schopenhauer, entretanto, sugeriu o suicídio, no seu terrível pessimismo, em Dores do Mundo, enquanto Friedrich Nietzsche, no famoso Assim Falava Zaratrusta, tentou solucionar o problema espiritual e moral do homem, através de uma filosofia da cultura da energia vital e da vontade de poder que o conduz ao "super-homem", oferecendo elementos aos teorizantes do racismo germânico, de cujas conseqüências ainda sofre a Humanidade.

Karl Marx, sedento de liberdade, expôs de maneira puramente materialista a solução dos problemas econômicos do mundo em O Capital e criou o socialismo científico, que abriu as portas ao moderno comunismo ateu.

Leão XIII compôs a Encíclica Rerum Novarum para solucionar as dificuldades nascidas nos desajustes de classes, oferecendo aos operários humildes, bem como aos patrões, os métodos do equilíbrio e da paz; todavia, a própria Igreja Romana continuou a manter-se longe da Justiça Social...

E o livro continua libertando, revolucionando, escravizando...

Clássico ou moderno, rebuscado ou simples, o livro campeia e movimenta mentes, alargando ou estreitando os horizontes do pensamento.

É, em razão disso, que um novo livro, recordando todos os livros, oferece ao homem moderno resposta nova às velhas indagações, propondo soluções abençoadas em torno do antiqüíssimo problema da felicidade humana.

O LIVRO ESPÍRITA, como farol em noite escura, é também esperança e consolação.

Esclarecendo quem é o homem, donde vem e para onde vai, sugere métodos mais condizentes com o Cristianismo - Cristianismo que é a Doutrina Espírita - num momento de desesperação de todas as criaturas.

Renovador, o Livro Espírita encoraja o espírito em qualquer situação; esclarece os enigmas da psique humana; filosófico, desvela os problemas do ser; religioso, conduz o homem a Deus, e abrange todos os demais setores das atividades humanas.

Desse modo, o Livro Espírita - no momento em que a literatura de desumaniza e vulgariza, tornando-se serva dos interesses subalternos de classe e governo, política e raça, fronteira e poder - disseminando o amor e propagando a bondade, oferece ao pensamento universal as excelentes oportunidades de glória e imortalidade.

Saudemo-lo, pois!


Autor: Espírito Vianna de Carvalho Médium: Divaldo Pereira Franco Obra: O Livro Espírita
Na hora da irritação

Na hora da irritação que te ocorra:

não grites;

não escrevas;

não prometas;

não te ausentes;

não compres;

não vendas;

não te agites;

não opines;

não gracejes;

e não reclames.

Recolhe-te ao silêncio por alguns minutos, e entrega-te à oração, rogando o auxílio da Providência Divina.

Sentirás, então, que a crise te haverá deixado e retomarás a normalidade da própria vida, para reger com segurança as próprias decisões.


Autor: Emmanuel Médium: Francisco Cândido Xavier Obra: Luz e Vida
Os mártires do Espiritismo - Santo Agostinho

“Pedistes milagres. Hoje pedis mártires. Já existem os mártires do Espiritismo. Entrai nas casas e os vereis.

Pedis perseguidos. Abri o coração desses fervorosos adeptos da ideia nova que lutam contra os preconceitos, com o mundo, e frequentemente até com a família! Como seus corações sangram e se dilatam, quando seus braços se estendem para abraçar um pai, uma mãe, um irmão ou uma esposa e não recebem a paga do carinho e dos transportes, mas sarcasmos, desdém e desprezo.

Os mártires do Espiritismo são os que a cada passo escutam estas palavras insultuosas: louco, insensato, visionário!… e durante muito tempo terão que suportar essas afrontas da incredulidade e outros sofrimentos ainda mais amargos.

Entretanto, a sua recompensa será bela, porque se o Cristo mandou preparar um lugar soberbo aos mártires do Cristianismo, o que prepara aos mártires do Espiritismo será ainda mais brilhante. Os mártires da infância do Cristianismo marchavam para o suplício, corajosos e resignados, porque não contavam sofrer senão dias, horas ou o segundo do martírio, aspirando a morte como única barreira para viver a vida celeste.

Os mártires do Espiritismo não devem nem mesmo aspirar a morte. Devem sofrer tanto tempo quanto praza a Deus deixá-los na Terra e não ousam julgar-se dignos dos puros gozos celestes logo que deixem a vida. Oram e esperam, murmurando baixinho palavras de paz, de amor e de perdão aos que os torturam, esperando novas encarnações nas quais poderão resgatar passadas faltas.

O Espiritismo elevar-se-á como um templo soberbo. A princípio os degraus serão difíceis de subir. Mas, transpostos os primeiros degraus, bons Espíritos ajudarão a vencer os outros até o lugar simples e reto que conduz a Deus.

Ide, ide, filhos, pregar o Espiritismo!

Pedem mártires. Vós sois os primeiros que o Senhor marcou, pois sois apontados a dedo e sois tratados como loucos e insensatos, por causa da verdade! Eu vos digo, entretanto, que em breve chegará a hora da luz e então não mais haverá perseguidores nem perseguidos. Sereis todos irmãos e o mesmo banquete reunirá opressores e oprimidos!


Autor: Santo Agostinho (Méd. Sr. E. Vézy.) Obra: Revista Espírita 1862

CEFE

Centro Espírita Fonte de Esperança

O Centro Espírita Fonte de Esperança – CEFE foi fundado em janeiro de 1983, na cidade de Sobradinho/DF, composto inicialmente por integrantes da família Rocha e alguns amigos e assim permaneceu praticamente por toda a primeira década de existência. Posteriormente, outras pessoas a ele se vincularam e permanecem ativas até hoje, formando um núcleo de aproximadamente trinta componentes.

Aprender para crescer com Jesus e com a Doutrina dos Espíritos é o seu objetivo maior.

O estudo doutrinário ocupa atenção especial. Oferece curso de estudo sistematizado da Doutrina Espírita e, para os estudantes com maior experiência, a oportunidade para o aprofundamento dos entendimentos colhidos; divulga a Doutrina mediante palestras públicas, por meio da Revista O Espírita, pela música com letras inspiradas mediunicamente e livros recebidos com o auxílio mediúnico. Como mais um passo nessa direção, agora pela Internet, divulga artigos e pesquisas de cunho doutrinário.

Sabendo que na ação é onde se concretizam os bons propósitos, oferece a assistência fraterna aos que desejam atendimento pessoal e atua na assistência à comunidade carente de Planaltina de Goiás há mais de 25 anos, ensejando a todos as pessoas de boa vontade a oportunidade de por em prática a caridade e a fraternidade no voluntariado em ação.

Os carentes de saúde no corpo e na alma encontram refrigério na assistência mediúnica, em encontros realizados na primeira e segunda quinzena de cada mês. Nesses encontros os corações das dimensões espirituais mais elevadas descem até nós para uma verdadeira transfusão de amor.

Reconhecendo que vivemos em um verdadeiro oceano de vibrações que se interpenetram de acordo com a lei das afinidades, da lei de ação e reação, onde a vida estuante se estrutura com as demais leis sábias de nosso Criador Divino, tudo fomentando a gravidade para esse Foco Radioso que é Deus, mas que nos estágios inferiores em que nos encontramos ainda cristalizados pelo mau uso dos Estatutos Divinos, guiados pelo egoísmo e pelo orgulho, o Fonte de Esperança dispensa especial atenção aos irmãos e irmãs enfermos vinculados a processos obsessivos, Espíritos e encarnados, com a assistência mediúnica duas vezes por semana.

As portas do Fonte de Esperança estão sempre abertas, com a disposição do auxílio fraterno ao que busca o esclarecimento, ao que geme e sofre, ao carente!

ATIVIDADES SEMANAIS

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Obras Básicas






Personalidades

Adolfo Bezerra de Menezes

Antes de reencarnar na então chamada Riacho do Sangue (hoje, Solonópole), no estado do Ceará, Brasil, em 29de Agosto de 1831, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti já tinha sido designado pelo plano espiritual para levar a cabo a missão de semear no solo fértil das terras brasileiras (consideradas elo Mundo Maior como a — pátria do Evangelho“), a semente do Evangelho Restaurado, representado pelo Espiritismo, para mais tarde unir, sob a mesma bandeira, todos os seus integrantes. Foram as seguintes as palavras do nobre Espírito Ismael, responsável pelas terras de Vera Cruz:

— Descerás às lutas terrestres, tendo por objetivo concentraras nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Agruparás todos os elementos dispersos com a dedicação do teu espírito, afim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos altos propósitos de reforma e de regeneração. Não precisamos de te explicar quão delicada é a tua missão. Mas, se observares plenamente o Código de Jesus, e contando com a nossa assistência espiritual, pulverizarás, à base de perseverança e de humildade, todos os obstáculos, consolidando o início da nossa obra, que é a de Jesus, no seio da pátria do Seu Evangelho. E se a luta vai ser grande, lembra-te que não será menor a compensação do Senhor, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. “

E foi com este fim que Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti regressou à superfície terrestre. Reencarnou no seio duma família católica, tendo sido educado segundo os padrões rígidos de disciplina e de severidade que eram habituais na época. Aos sete anos entra para a escola pública de Vila do Frade onde, em apenas dez meses, absorve todos os conhecimentos que o seu próprio professor detinha, demonstrando a sua fulgurante inteligência. Em 1842, com onze anos, e devido a perseguições políticas, a sua família muda-se para o Rio Grande do Norte, para a região onde atualmente se situa a cidade de Martins. Aí, na antiga vila Maioridade, é matriculado na Escola Pública de Latinidade, dirigida pelos Jesuítas onde, em apenas dois anos, se tornou tão fluente em Latim, que chegou a substituir o professor nalgumas ocasiões. Em 1846, a família volta novamente para o Ceará, fixando residência na capital do estado. Entra para o Liceu ali existente e completa os seus estudos preparatórios como o 1º aluno do mesmo Liceu.

O pai era um homem abastado, pois possuía várias herdades de criação de gado. No entanto, com a política, e com os empréstimos que fazia aos parentes e aos amigos, comprometeu a fortuna, começando ele próprio, a contrair dívidas. Mas ao aperceber-se de que estas eram iguais ao total do seu patrimônio, dirigiu-se aos credores e propôs lhes entregar-lhes tudo o que possuía, o qual era suficiente para liquidar integralmente o que devia. Mas os credores e todos seus amigos recusaram esta proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse. Ele insistiu, mas como não os conseguiu demover, decidiu tornar-se um mero administrador da que fora a sua fortuna, dela tirando apenas o que era estritamente necessário para a manutenção da família, que passou assim da riqueza para a pobreza.

Em 1851, com apenas 20 anos e levando consigo uma quantia mínima oferecida pelos parentes parte para o Rio de Janeiro para estudar Medicina. Certo dia, estando a passar por terríveis dificuldades financeiras, pois precisava da quantia de cinquenta mil reis para pagar as propinas da Faculdade e o quarto em que vivia (o dono da casa ameaçava obrigá-lo a desocupar o quarto) e num estado de completo desespero, ergueu os olhos ao Alto e pediu a Deus com muita fé uma solução. Pouco tempo depois, bateram-lhe à porta. Era um rapaz simpático e bem educado, que dizia precisar urgentemente de receber explicações de Matemática e que queria até pagar adiantado. Ao princípio, recusou-se a dar-lhe explicações, alegando ser essa a matéria que mais detestava, as perante a insistência do rapaz e a sua própria necessidade do, resolveu aceitar. Recebeu, então, a quantia de cinquenta mil reis... Depois de terem combinado o dia e a hora para começarem as aulas, o rapaz despediu-se, deixando Bezerra de Menezes muito contente, pois assim já podia pagar as propinas e que devia ao seu senhorio. Apressou-se a ir à procura de livros na biblioteca pública para se preparar para as explicações, mas o rapaz nunca mais apareceu... Em 1856 licencia-se em Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

É nesta altura que decide deixar de usar o seu último apelido, Cavalcanti, passando a usar apenas Bezerra de Menezes. Em Junho de 1857 é admitido como membro titular da Academia Imperial de Medicina. E em 1858, candidata-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. O seu ex-professor Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que era então Cirurgião-Mor do Exército e Chefe do corpo de saúde do Hospital Central do Exército, intercede por ele e depois de conseguir a vaga, nomeia-o seu assistente, com a patente de Cirurgião-Tenente. A melhoria da sua situação econômica permite-lhe casar em 6 de Novembro de 1858 com D. Maria Cândida de Lacerda, de quem teve dois filhos. Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, viu a sua eleição ser impugnada, sob a alegação de ser médico militar. Com o objetivo de servir o seu partido, que precisava dele para ter a maioria na Câmara, resolveu afastar-se do Exército.

Quando tudo parecia correr bem na sua vida, Bezerra de Menezes sofre um rude golpe físico e oral: após 4anos de casamento, subitamente, em 24 de Março de 1863, a sua mulher desencarna, deixando-o com dois filhos ainda pequeninos. Este fato deixou-o muito abatido, mas, em 1865, volta a casar desta vez com uma sua cunhada, também chamada Cândida como a irmã - D. Cândida Augusta de Lacerda Machado, de quem teve mais cinco filhos.

Entretanto, em 1864, tinha sido reeleito vereador municipal para o período 1864-1868. Chegando o mandato ao fim, abandona a política e dedica-se só à Medicina, vivendo para ajudar os mais necessitados e repartindo com eles o pouco que tinha. Corria sempre em auxílio do próximo; onde houvesse um mal a combater, lá estava ele, a levar ao aflito o conforto da sua palavra bondosa, o recurso da medicina, e a ajuda da sua bolsa, pequena, mas generosa. Os primeiros contatos com a Doutrina Espírita dão se por volta de 1873, altura em que foi fundado o Grupo Confúcio, mais tarde chamado Grupo Ismael, de onde saiu a futura Federação Espírita Brasileira. Foi graças a este grupo que, em 1875, O Livro dos Espíritos é traduzido pela 1ª vez para português, pelo eu amigo Dr. Joaquim Carlos Travassos, que lhe ofereceu um exemplar.

A partir daí, a sua existência foi totalmente dedicada à causa de Cristo, sendo considerado o — médico dos pobres“ e o — apóstolo da caridade“ devido à sua dedicação ao próximo. Torna- se, portanto espírita, mas só o revela publicamente10 anos depois, em Agosto de 1886 quando os seus conhecimentos já estavam mais amadurecidos e já estava pronto para desempenhar a tarefa que lhe tinha sido confiada pela Espiritualidade Superior quando, perante um auditório de cerca de 2.000 pessoas, proclama a sua adesão ao Espiritismo. Entre 1886 e 1893 publicou regularmente diversos artigos intitulados — O Espiritismo-Estudos Filosóficos “, onde escrevia sempre sobre a vertente filosófica e principalmente religiosa do Espiritismo, assinados com o pseudônimo de Max.

Estes artigos constituem a época de ouro da divulgação espírita no Brasil. Para além destes artigos, escreveu também diversos livros, que vieram enriquecer a literatura espírita No entanto, o início da Doutrina no Brasil, não foi fácil. Os espíritas estavam divididos e os diversos grupos e centros, não comungavam das mesmas ideias. Como Ismael tinha afirmado antes da sua encarnação, era preciso haver união e, como forma de alerta, o espírito de Allan Kardec, por meio do médium Frederico Júnior, enviou-lhe uma importante mensagem, onde apelava à união, à caridade, ao estudo e à pacificação, o que contribuiu para que Bezerra de Menezes sentisse ainda uma maior vontade de cumprir a sua missão.

Em 1894, perante as divergências que havia, vários espíritas, liderados pelo Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidá-lo para presidir à Federação, achando que ele era o único que podia unir todos os espíritas. Embora com alguma relutância, aceita a presidência da FEB, contando com a aprovação de todos os centros espíritas do Rio de Janeiro, tendo desempenhado o cargo até meados de Fevereiro de 1900, altura em que foi vítima dum AVC (acidente vascular cerebral) que o deixou tetraplégico e sem fala; no seu rosto, apenas os seus olhos verdes se mexiam e falavam, numa linguagem nascida da pureza do seu coração e da sua fé de apóstolo. Não voltou a recuperar, e em 11 de Abril de 1900, pelas 11h30m, voltou à pátria espiritual. No entanto, apesar de estar tão doente, Bezerra de Menezes não se esquecia daqueles que até então tinham contado com a sua ajuda, e por isso, rogava a Maria, Mãe de Jesus, por eles, pois, lado a lado com o político honesto e com o Presidente da Federação Espírita Brasileira, estava o médico humilde e caridoso, que não olhava a sacrifícios para ajudar todos os doentes que o procuravam.

O seu consultório estava sempre cheio de pessoas sem dinheiro para pagarem a consulta ou os remédios. E ele ia-lhes dando tudo o que tinha e quando já nada possuía nem sequer o anel da formatura, que tinha sido convertido em remédios para os filhos duma mãe aflita - apenas os abraçava, à laia de remédio e consolo. Como Espírito, continua a viver plenamente a humildade e a caridade, consolando-nos a todos os que nos curvamos sob o fardo das provas terrenas. A sua bondosa assistência pode ser sentida nos livros e mensagens que ditou a Francisco Cândido Xavier e a Yvonne do Amaral Pereira.

Alexandre Aksakof

Alexandre Aksakof nasceu na Rússia, no seio de nobre família, cujos membros ocuparam sempre lugar de destaque na literatura e nas ciências. Começou seus estudos no Liceu Imperial de São Petersburgo - instituição da antiga nobreza da Rússia - e uma vez concluídos dedicou-se ao estudo da Filosofia e da Religião, tendo para isso que aprender o hebraico e o latim, visando um melhor entendimento da obra grandiosa de Swedenborg.

Após estudar com afinco cursos e ramos da Filosofia, escreveu a primeira obra em francês no ano de 1852 sobre Swedenborg: "Uma exposição metódica do sentido espiritual do Apocalipse, segundo o Apocalipse revelado". Em 1854, caindo em suas mãos a obra de Andrew Davis: "Revelações da Natureza Divina", Aksakof abriu novos horizontes às suas aspirações e tendências intelectuais, reconhecendo um mundo espiritual de cuja realidade não mais duvidava.

Para fazer um completo estudo fisiológico e psicológico do homem, matriculou-se em 1855 como estudante da Faculdade de Medicina de Moscou, onde ampliaria os seus conhecimentos de Física, Química e Matemática, ao mesmo tempo em que acompanhava, passo a passo, o desenvolvimento espírita na Europa e na América. Para isso ele revolvia livrarias e pedia de qualquer lugar as obras que não se encontravam nas livrarias de sua terra. A partir de 1855 ele inicia a tradução para o russo de todas as obras de Allan Kardec, Hare, Edmonds, Dale Owem, William Crookes, "Relatório da Sociedade Dialética de Londres", e a fundação de periódicos como o "Psychische Studien", de Lípsia, uma das melhores revistas sobre Espiritismo.

A obra de Aksakof não se restringiu apenas a escrita. Criou adeptos entre pessoas de talento reconhecido, muitos deles cientistas, que, através de experiências feitas com médiuns famosos como Dunglas Home, levou a Rússia a formar a primeira comissão de caráter puramente científico para o estudo dos fenômenos espíritas. Para essa comissão, Aksakof mandou vir da França e da Inglaterra os médiuns que participariam das experiências. Como resultado, por haver fugido das condições pré-estabelecidas, tal comissão chegou a conclusões errôneas sobre o Espiritismo, saindo como relatório conclusivo o livro "Dados para estabelecer um juízo sobre o Espiritismo", onde afirmava a falsidade dos fenômenos observados. Aksakof contestou a comissão com um outro livro intitulado: "Um momento de preocupação científica".

A seguir, o valente russo voltou as suas baterias verbais contra o célebre "filósofo do inconsciente" Von Hartmann, publicando uma obra volumosa, a mais completa que se conhece sobre o assunto versado "Animismo e Espiritismo", que mais o fortaleceria como eminente cientista e pesquisador nato.

Homem de brilhante posição social, ele consagrou-se durante 25 anos ao serviço do Estado, alcançando vários títulos, tais como: conselheiro secreto do Czar, conselheiro da corte, conselheiro efetivo do Estado, e outros que não são mais que um prêmio aos bons serviços prestados por ele à sua pátria. Verdadeiro sábio, raras vezes se acham reunidas tanta inteligência, tanta erudição a um critério imparcial. Jamais se deixouarrastar pelos entusiasmos das suas convicções; nunca perdeu a serenidade em seus juízos, e, no meio da sua fé, tão ardente e sincera, não esqueceu o raciocínio frio que lhe fez compreender quais podem ser as causas dos fenômenos que observava, o que o colocou acima dessa infinidade de fanáticos que não estudando, não experimentando, e aceitam como bom tudo quanto se lhes querem fazer crer.

Polemista temível e escritor delicado, os trabalhos de Aksakof levam a convicção ao espírito; e tal sinceridade se vê em suas obras que, lendo-as, sente-se a necessidade de crer nelas. Alie-se a isto um caráter bondoso e uma vontade de ferro, que não se demove frente aos obstáculos, assim como a uma paixão imensa pelo ideal que o leva a percorrer a Europa para fazer experiências, e ter-se-á uma idéia superficial a respeito do investigador incansável, dotado de uma alma varonil e de um talento primoroso. Nunca permaneceu ocioso; seus artigos abundavam nos periódicos espíritas, e não há pessoa medianamente ilustrada que não conheça alguma das suas célebres experiências com os médiuns Home, Slade, d'Esperance, ou algum de seus estudos acerca de fantasmas e formas materializadas. Assim foi Aksakof, o maior de todos os soldados da grande Rússia, um soldado que combatia idéias, ideal com ideal, desonra com honra, preconceitos com dignidade.

Fonte: Revista ICESP, ano 4, nº 16, 4º trimestre/2005 - Dr. Paulo Toledo Machado.
Allan Kardec

Nascido em Lyon, a 3 de outubro de 1804, de antiga família que se distinguiu na magistratura e no foro, Allan Kardec (Léon-Hippolyte-Denizart Rivail) não seguiu a carreira dos Avoengos, sentindo-se, desde os verdes anos, atraído pelos estudos da ciência e da filosofia. Matriculado na escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais aplicados discípulos daquele eminente professor e um dos mais zelosos propagadores do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu na reforma dos estudos de Alemanha e de França. Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino por vocação e especiais aptidões, desde os quatorze anos ensinava aos condiscípulos menos adiantados o que ia aprendendo. Foi com essas lições que se lhe desenvolveram as ideias, que mais tarde deveriam colocá-lo entre os homens do progresso e do livre pensamento. Nascido na religião Católica, mas educado no Protestantismo, serviram-lhe os atos de intolerância por que passou, de incentivo, em boa hora, ao pensamento de uma reforma religiosa, na qual trabalhou, em silêncio, por dilatados anos, procurando alcançar o meio de unificar as crenças, sem que pudesse descobrir, entretanto, o elemento indispensável para a solução do grande problema. Foi o Espiritismo que, mais tarde, lhe facultou esse meio, imprimindo-lhe aos trabalhos particular orientação.

Concluídos os estudos, tornou à França; possuindo profundo conhecimento da língua alemã, traduziu para ela diferentes obras de educação e moral, entre as quais, o que é característico, as de Fénelon, que mui particularmente o seduziram. Era membro de muitas sociedades científicas e entre elas a da Academia Real de Arras, que, no concurso de 1831, lhe coroou uma notável memória acerca da questão: Qual o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades da época?

De 1835 a 1840, fundou em sua casa, na rua Sévres, cursos gratuitos de física, química, anatomia comparada, astronomia, etc.- empresa digna de encômios em qualquer tempo, mas principalmente numa época em que bem poucos eram os interessados que se aventuravam pôr aquela senda. Sempre empenhado em tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou, ao mesmo tempo, um método engenhoso para aprender a contar e um quadro mnemônico da história de França, cujo objetivo era fixar na memória as datas dos mais notáveis acontecimentos, bem como os descobrimentos que ilustram cada reinado.

Entre as numerosas obras de educação, podemos citar as seguintes: - Plano para o melhoramento da instrução pública, 1828. - Curso prático e teórico de aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso de professores e de mães de família, 1829. - Gramática francesa clássica, 1831. - Manual para exames de capacidade. Soluções racionais de questões e problemas de aritmética e de geometria, 1846. - Catecismo gramatical da língua francesa, 1848. - Programa dos cursos ordinários de física, química, astronomia, fisiologia (que ele dava no Liceu Polimático).

Pontos para os exames da Câmara Municipal e da Sorbonne, acompanhados de instruções especiais sobre as dificuldades ortográficas, 1849, obra muito estimada na ocasião da qual ainda recentemente se faziam novas edições. Antes que o Espiritismo lhe viesse popularizar o pseudônimo de Allan Kardec, havia ele, como se vê, sabido ilustrar-se com trabalhos de natureza mui diversa, os quais tinham pôr finalidade esclarecer a massa popular, prendendo-a ainda mais ao sentimento de família e ao amor de pátria. Em 1855, quando se começou a tratar das manifestações de Espíritos, Allan Kardec dedicou-se a perseverantes observações do fenômeno e cuidou principalmente de lhe deduzir as consequências filosóficas; entreviu de longe o princípio de novas leis naturais; aquelas que regem as relações entre o mundo visível e invisível.

Reconheceu, nas manifestações deste, uma das forças da natureza, cujo conhecimento devia projetar luz a uma infinidade de problemas considerados insolúveis. Finalmente percebeu a relação de tudo aquilo com pontos de vista religiosos. As suas principais obras acerca da nova matéria são: O Livro dos Espíritos, para a parte filosófica, cuja a primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857. O Livro dos Médiuns, para a parte experimental e científica, publicada em janeiro de 1861. O Evangelho segundo o Espiritismo, para a parte moral, publicada em abril de 1864. O Céu e o Inferno, ou A Justiça de Deus segundo o Espiritismo, agosto de 1865. A Gênese, os Milagres e as Predições, janeiro de 1868.

A Revista Espírita, órgão de estudos psicológicos, publicação mensal começada em 1 de janeiro de 1858. Fundou em Paris, a 1 de abril de 1858, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Societé parisiense des études spirites, cujo o fim exclusivo era o estudo de tudo quanto pudesse contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu admiravelmente da pecha de haver escrito sob a influência de ideias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e severo, observara os fatos e das observações deduziu as leis que os regem; foi o primeiro que, a propósito desses fatos, estabeleceu teoria e constituiu em corpo de doutrina, regular e metódico. Demonstrando que os fatos, falsamente chamados sobrenaturais, são sujeitas as leis, os subordinou à categoria dos fenômenos da natureza, e fez ruir, assim, o último reduto do maravilhoso, que é uma das causas da superstição.

Durante os primeiros anos de preocupação com os fenômenos espíritas, foram este mais objeto de curiosidade que de meditações sérias. O Livro dos Espíritos fez com que fossem encarados pôr outra face: desprezaram-se as mesas falantes, que tinham sido o prelúdio e se ligou o fenômeno a um corpo de doutrina, que compreendia questões concernentes à humanidade. Da aparição do livro data a verdadeira fundação do Espiritismo, que até então só possuía elementos esparsos, sem coordenação, e cujo o alcance não tinha sido compreendido pôr todos. Também foi desde aquela época que a doutrina prendeu a atenção dos homens sérios e adquiriu rápido desenvolvimento. "Em poucos anos, as ideias espíritas contavam com numerosos aderentes nas classes sociais e em todos os países.

O êxito, sem precedentes, é obra da simpatia que essas ideias encontram, mas também é devido, em grande parte, à clareza característica dos escritos de Allan Kardec. Abstendo-se das fórmulas abstratas da metafísica, o autor soube fazer-se sem fadiga, condição essencial para a vulgarização de uma ideia. Sobre todos os pontos de controvérsia, a sua argumentação, de uma lógica cerrada, oferece pouco material à contestação e predispõe o antagonista à convicção. As provas materiais, que o Espiritismo fornece tanto da existência da alma como da vida futura, derrocam as ideias materialistas e panteístas. Um dos princípios mais fecundos da doutrina, o qual decorre do precedente, é o da pluralidade das existências, já entrevista pôr inúmeros filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, pôr Jean Reynaud, Charles Fourier, Eugène Sue e outros; mais tinha ficado no estado de hipótese, ao passo que o Espiritismo demonstra a sua realidade e prova que é um dos atributos essenciais da humanidade.

Desse princípio decorre a solução de todas as anomalias aparentes da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais. O homem sabe assim donde vem, para onde vai, para que fim está na Terra e pôr que sofre aqui. "As ideias inatas explicam-se pelos conhecimentos adquiridos em vidas anteriores; o caminhar dos povos explica-se pelos homens do tempo passado, que voltam a esta vida, depois de terem progredido; as simpatias e as antipatias, pela natureza das relações anteriores, relações que ligam a grande família humana de todas as épocas aos altos princípios da fraternidade, da igualdade, da liberdade e da solidariedade universal, têm pôr base as mesmas leis a Natureza e não mais uma teoria.

Em vez do princípio: Fora da Igreja não há salvação, que mantém a divisão e a animosidade entre diferentes seitas e que tanto sangue tem feito correr - o Espiritismo tem pôr máxima: Fora da caridade não há salvação, isto é, a igualdade dos homens perante Deus, a liberdade da consciência, a tolerância e a benevolência mútuas. Em vez da fé cega, que aniquila a liberdade de pensar, ensina: a fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade; para a fé é preciso uma base e esta é a inteligência perfeita do que se deve crer; para crer não basta ver, é preciso sobretudo compreender; a fé cega não é mais deste século; ora, é precisamente o dogma da fé cega que produz hoje o maior número de incrédulos, pôr querer impor-se. Exigindo a alimentação das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e i livre arbítrio (Evangelho segundo o Espiritismo).

Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a iniciar o trabalho e o último a deixá-lo, Allan Kardec sucumbiu a 31 de março de 1869, em meio dos preparativos para mudar de domicílio, como lho exigia a extensão considerável das múltiplas ocupações. Numerosas obras, que tinha em mão, ou que só esperavam oportunidade para vir a lume, provar-lhe-ão um dia a magnitude das concepções. Morreu como viveu: trabalhando. Desde longos anos sofria do coração, que reclamava, como meio de cura, o repouso intelectual, com pequena atividade material. Ele, porém, inteiramente entregue às obras, negava-se a tudo o que lhe roubasse um instante das suas ocupações de predileção. Nele, como em todas as almas de boa têmpera, a lima do trabalho gastou o aço do invólucro. O corpo, entorpecido, recusava-lhe os serviços; mas o espírito, cada vez mais vivaz, mais enérgico, mais fecundo, alargava-lhe o círculo da atividade. Na luta desigual a matéria nem sempre podia resistir.

Um dia foi vencida: o aneurisma rompeu-se e Allan Kardec caiu fulminado. Um homem desapareceu da Terra, mas o seu grande nome tomou lugar entre as ilustrações do século e um culto espírito foi retemperar-se no infinito, onde aqueles, que ele próprio havia consolado e esclarecido, lhe esperavam a volta com impaciência. "A morte, dizia mui recentemente, a morte amiúda os golpes na falange dos homens ilustres! ... A quem virá ela agora libertar?" Foi ele, depois de tantos outros, retemperar-se no espaço e buscar outros elementos para renovar o organismo gasto pôr uma vida de labores incessantes. Partiu com aqueles que virão a ser os luminares da nova geração, a fim de voltar com eles para continuar e concluir a obra que deixou confiada a mãos dedicadas. O homem deixou-nos, mas a sua alma será sempre conosco.

É um protetor seguro, uma luz a mais, um labutador infatigável, que foi aumentar as forças das falanges do espaço. Como na terra, saberá moderar o zelo dos impetuosos, secundar as intenções dos sinceros e dos desinteressados, estimular os vagarosos - saberá enfim, sem ferir a ninguém, fazer com que todos lhe ouçam os mais convenientes conselhos. Ele vê e reconhece agora o que ainda ontem apenas previa. Não mais está sujeito às incertezas e aos desfalecimentos e contribuirá para participarmos das suas convicções, fazendo-nos alcançar a meta, dirigindo-nos pelo bom caminho, tudo nessa linguagem clara, precisa, que constitui um característico nos anais literários.

O homem, nós o repetimos, deixou-nos, mas Allan Kardec é imortal, e a sua memória, os trabalhos, o Espírito, estarão sempre com aqueles que sustentarem com firmeza e elevação a bandeira, que ele sempre soube fazer respeitar. Uma individualidade pujante construiu o monumento. Esse monumento será para nós na Terra a personificação daquela individualidade. Não se congregarão em torno de Allan Kardec: congregar-se-ão em torno do Espiritismo, que é o monumento pôr ele erigido. Através dos conselhos dele, sob a sua influência, caminharemos com passo firme para essas fases venturosas prometidas à humanidade regenerada. (Revue Spirit. Maio 1869).

Notas de Henri Sausse

De acordo com Henri Sausse, em seu discurso sobre a Biografia de Allan Kardec, Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado. Aplicou-se, de todo o coração, à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. Muitíssimas vezes, quando Pestalozzi era chamado pelos governos, um pouco de todos os lados, para fundar institutos semelhantes ao de Yverdun, confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na direção da sua escola. O discípulo tornado mestre tinha, além de tudo, com os mais legítimos direitos, a capacidade requerida para dar boa conta da tarefa que lhe era confiada. Era bacharel em letras e em ciências e doutor em medicina, tendo feito todos os estudos médicos e defendido brilhantemente sua tese. Lingüista insigne, conhecia a fundo e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol; conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua.

Obras educacionais

Dentre as suas numerosas obras convém citar: - Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública, em 1828; - Curso prático e teórico de aritmética, em 1829; - Gramática francesa clássica, em 1831; - Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade, em 1846; - Catecismo gramatical da língua francesa, em 1848; - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas, em 1849.

Obras espíritas

As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentauteco Espírita, compõem-se dos seguintes livros:

O Livro dos Espíritos (1857); O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861); O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864); O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865); A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).

Além dos supracitados Kardec escreveu também:

O que é o Espiritismo (1859); O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples (1862); Obras Póstumas (1.ª edição - 1890); Revista Espírita, periódico mensal (1.ª edição - 1.º de janeiro de 1858)

Livros que tratam da vida e obra de Allan Kardec:

AMORIM, D. Allan Kardec. 2. ed., Minas Gerais, Instituto Maria, 1976. IMBASSAHY, C. A Missão de Allan Kardec. 2. ed., Curitiba, FEP, 1988. MOREIL, A. Vida e Obra de Allan Kardec. 4. ed., São Paulo, Edicel, 1977. SAUSSE, H. Biografia de Allan Kardec. São Paulo, Lake, 1972. WANTUIL, Z. (Org.) Grandes Espíritas do Brasil. Rio de Janeiro, FEB, 1968. WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan Kardec: Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica. Rio de Janeiro, FEB.

Fonte: site: www.searabendita.org.br
Amália Domingos Soler

Amália Domingo Soler nasceu na cidade de Sevilha, na região da Andaluzia, Espanha. Sua cidade natal, cujo símbolo é a "Torre da Giralda", antigo minarete mouro transformado em campanário (com um ornamento em seu topo que gira com o vento: La Giralda), tem brilhante participação na história da Espanha e do Ocidente.

Durante a idade média foi uma das principais cidades de Al-Andalus e um dos focos mais brilhantes da civilização árabe medieval, a fama de seu rei poeta Almotamid permanece como testemunho de uma época de esplendor. Após a reconquista, foi importante centro de transmissão da cultura muçulmana para seus novos senhores cristãos. O Alcazar de Sevilha e a própria Giralda são testemunhos vivos desta mescla que marca até nossos dias o povo da Andaluzia.

Durante os séculos em que o sol não se punha no vasto império espanhol - que cobria as Américas e se estendia pelo Pacífico - a cidade, onde Amália nasceu, era o principal porto de acesso aos territórios de além-mar. Riquezas de todos os cantos fluíam por seus armazéns e dali seguiam para financiar as incontáveis guerras que travaram seus reis. Foi justamente após o desmoronar desse império, ferido mortalmente pelas guerras napoleônicas e pela perda da maioria de suas colônias americanas, que nasceu Amália, em 10 de dezembro de 1835. Estava no trono da Espanha uma criança, a rainha Isabel II (proclamada em 24 de outubro de 1833), com sua mãe - Maria Cristina - como regente.

Este reinado tornou-se um período extremamente conturbado, marcado por ministérios de curta duração, crises religiosas (supressão da Companhia de Jesus e extinção de diversos conventos), epidemias e uma guerra civil - as guerras Carlistas (Don Carlos, cunhado de Maria Cristina não reconheceu Isabel II como rainha, contando com o apoio de parte do clero, grandes proprietários e parte do exército) - cujas sequelas ainda se fariam sentir no século seguinte. Conseqüência direta de tantas dificuldades foi a penúria econômica que caracterizou a vida de grande parcela da população. Devido a miséria e a anarquia, esta também foi a época dos "bandoleros andaluzes" (aprox. 1817 a 1850), grupos de bandidos, que a partir da Serra Morena aterrorizavam os campos andaluzes.

Alguns destes bandidos se transformaram em figuras do folclore e foram imortalizados em canções populares. É neste cenário conturbado que se passa a infância de Amália Domingo Soler. Infância que não pode ser considerada feliz. Já antes de nascer, tem sua primeira grande perda, pois seu pai parte em uma longa viagem e nunca mais retorna. Aos oito dias de idade fica cega, sendo curada aos três meses por um farmacêutico. Problemas com a vista a seguiriam por toda a vida, sempre a ameaçando com a cegueira. Os anos seguintes de sua vida passam em relativa segurança, amparada pela mãe, com quem tinha grande afinidade:

"Em meus olhos, que ficaram muito imperfeitos, não sei o que via, mas o certo é que se consagrou em absoluto a mim e não teve outro afã senão o de tornar-me feliz, zelando para não se descuidar, nem de leve com minha educação; basta dizer que quando completei dois anos começou ela a tarefa penosa de ensinar-me a ler, obtendo como prêmio de seu afã que aos cinco anos eu lesse corretamente, fazendome ler em voz alta duas horas por dia.

Nossos espíritos se uniram de um modo tão admirável que só no olhar adivinhávamos os nossos pensamentos". Amália Domingo Soler, Minha Vida. Amália escreveu suas primeiras poesias aos dez anos de idade e aos 18 publicou seus primeiros versos. Uma de suas poesias, recorda os melhores dias de sua juventude, de seus passeios com a mãe e os amigos nos jardins do Alcazar de Sevilha:

A una Rosa

Flor de hermosura ideal,

Bella y delicada rosa,

Yo te contemplé orgullosa

En un jardín oriental.

Hubo un ser que compreendió

Que admiraba tu hermosura;

Temerário te arrancó:

En mi mano te dejó,

Y le miré con ternura.

Otra vez nos encontramos

Y en memoria de la rosa

Cariño eterno juramos;

De amistad pura y preciosa Un santo lazo formamos.

Hoy tus hojas sin color

Las contemplo y bendigo;

Pues me dieron un amigo

Que es una ignorada flor.

Amalia Domingo Soler

Memorias de una Mujer

Esta poesia, escrita em sua juventude, foi-lhe relembrada, muitos anos depois, pelo espírito do amigo citado. Amália não chegou a casar-se e aos vinte cinco anos, com o falecimento de sua mãe, começou a fase mais difícil de sua existência. Os recursos que sua mãe dispunha, praticamente se esgotaram no tratamento de sua saúde e as relações com seus familiares - parentes do pai - não eram das melhores.

Assim, além da solidão, começaram para Amália dias de grande penúria. As soluções propostas por seus familiares lhe foram impossíveis de aceitar: entrada no convento ou casamento arranjado com um senhor de muito mais idade, em boa situação financeira. Assim ela se dirigiu a Madrid, capital do país, na esperança de encontrar melhores condições de sobreviver, com suas poesias e com um trabalho modesto. Suas dificuldades foram imensas, até fome passou e teve de recorrer a instituições de caridade, pois raríssimas as possibilidades de trabalho honrado para uma moça pobre e desamparada. Nesse período, no desespero da fome e da solidão, pensa até em matar-se.

Em uma noite de grande amargura, em que tinha perdido até mesmo a noção de Deus e debatia-se na duvida do destino de sua mãe, esta lhe aparece e causa-lhe viva impressão. Impressionada pela visão de sua mãe, recorda-se da religião e busca reconforto nas igrejas. É, porém junto a uma igreja luterana que encontra o apoio que procura. A palavra de seus pastores e a convicção de seus fiéis lhe trazem de novo a fé e o consolo da confiança em Jesus. O esforço de escrever versos, dos pequenos trabalhos de costura, unidos a difícil condição em que vivia, lhe pioraram significativamente a vista e somente graças ao tratamento feito por um médico homeopata, salvou-se da cegueira.

Foi também este médico que lhe fala pela primeira vez de uns "loucos", adeptos de uma novidade chamada Espiritismo, e lhe empresta um exemplar do jornal espírita "El Critério". O curioso é que o médico era materialista e lhe fala do Espiritismo para consolá-la de suas aflições. É lendo um artigo deste jornal - reproduzido nas suas memórias - que ela se convence da verdade do Espiritismo e busca maiores informações. Estuda o que lhe chega as mãos sobre o Espiritismo e para poder ter acesso as revistas espíritas, começa a escrever artigos para elas. O primeiro de seus trabalhos espíritas é uma poesia para o jornal "El Critério", que embora não tenha sido publicada, lhe valeu uma carta do editor - Visconde de Torres Solanot - com um livro espírita de sua autoria (Preliminares del Espiritismo).

É no periódico espírita "La Revelación", da cidade de Alicante, que pela primeira vez sai publicado um texto de Amália Domingo Soler, uma poesia. Seu primeiro artigo doutrinário, "La Fe Espiritista" sai pelo "El Critério", em seu número 9, de 1872. Seus artigos chamaram a atenção e aos poucos se integra ao movimento espírita espanhol, participando de reuniões. Foi em 31 de março de 1875 - aniversário da desencarnação de Allan Kardec - que no salão da Sociedad Espiritista Española, diante dos membros desta sociedade, Amália lê sua poesia "A la Memoria de Allan Kardec" e - como registra em suas memórias - passa a fazer parte das fileiras dos propagandistas da Doutrina Espírita. Grande escritora, com textos que falam tanto ao coração como a razão, e de espírito tão extraordinário como seu talento com as letras, conquistou totalmente as simpatias dos espíritas espanhóis. Fernandes Colavida a presenteia com a coleção das obras de Allan Kardec.

Os espíritas de Alicante a convidam a ficar junto a eles, sob sua proteção, dedicandose exclusivamente a divulgação da Doutrina. Junto aos espíritas de Murcia permanece 4 meses recuperando-se de uma enfermidade. Amália, firmemente acreditando que seria errado viver do Espiritismo, continua a trabalhar de dia e escrever de noite. Permanece em Madrid até que se muda para Barcelona, em 10 de agosto de 1876, convidada pelo grupo espírita "Circulo La Buena Nueva" e com a esperança de encontrar melhores condições de trabalho na capital Catalã, já então cidade empreendedora e de grande atividade econômica. Três meses após chegar a Barcelona, novamente os problemas de visão voltaram a atormentar Amália e quase cega encontrou amparo na família de Luís Lach, presidente do Circulo. Deram-lhe abrigo e condições de dedicar-se integralmente ao Espiritismo. Nas reuniões do Circulo, Amália veio a conhecer Miguel Vives, médium extraordinário, através do qual recebeu mensagens de sua mãe.

Também entre os espíritas barcelonenses conheceu o médium sonâmbulo Eudaldo, que se tornou seu colaborador e através do qual recebeu grande número de mensagens, incluse as que foram reunidas no livro "Memórias del Padre German". O Padre Germano, guia espiritual de Amalia, se apresentou pela primeira vez em 9 de maio de 1879 e a publicação de suas memórias foi feita em partes a partir de 29 de abril de 1880. Além de publicar artigos em periódicos espíritas, Amalia também refutou ataques ao Espiritismo em jornais como a "Gaceta de Cataluña", ficando célebre sua polêmica com o orador católico Vicente de Manterola. Em 1878, Vicente iniciou uma série de conferências combatendo o Espiritismo, as quais Amalia assistia e respondia em artigos na "Gaceta de Cataluña". O mesmo orador chegou a publicar, em 1879, um livro intitulado "El Satanismo, o sea la Catédra de Satanás, combatida desde la Cátedra del Espíritu Santo - Refutación de los errores de la Escuela Espiritista". Este foi refutado em uma série de 46 artigos de Amalia, reunidos posteriormente no livro "El Espiritismo refutando los errores del Catolicismo". Em 22 de maio de 1879 sai o primeiro número do periódico "La Luz del Porvenir", dirigido por Amalia Domingo Soler. O periódico surgiu devido a insistência de Luís Lach e do editor Juan Torrents que convenceram-na a aceitar a tarefa de criar um periódico direcionado a "mulher espiritista".

No primeiro número saiu o artigo "La idea de Dios" que foi denunciado as autoridades e provocou a suspensão do periódico por 42 semanas (voltou a ser publicado antes devido a um decreto do rei Alfonso XII). Durante a suspensão do periódico, foi publicado um substituto "El Eco de la Verdad", que chegou a ser denunciado por outro artigo ("Los Obreros" de Cândida Sanz) e absolvido.

Importante notar que estas denuncias - embora uma reação de setores religiosos que se sentiam ameaçados pelo Espiritismo - não são tão difíceis de se compreender, se considerarmos o clima geral da época de Alfonso XII. Este rei subiu ao trono com 17 anos em 29 de dezembro de 1874, em meio a uma crise política que levou a abdicação de sua mãe, a rainha Isabel II. A Espanha vivia um clima de extremismos, com o governo tendo que defender-se tanto contra os "Carlistas", que retomam a guerra civil, quanto contra os republicanos que querem o fim da monarquia.

Reformas liberais necessárias a modernização do país, misturavam-se com manifestos militares, crises políticas e novas guerras na África. O Catolicismo é a religião oficial do estado e procura reagir com todas as suas forças as mudanças liberalizantes que podem comprometer-lhe essa posição.

O periódico "La Luz del Porvenir" foi publicado até 1899 e muitos dos artigos de Amalia Domingos Soler publicados durante este período - incluindo "La Idea de Dios" - foram, a partir de 1972, reunidos por Salvador Sanchís Serra nos livros "La Luz del Porvenir" e "La Luz del Camino", distribuidos gratuitamente por ele e pelo grupo espírita "La Luz del Camino" de Orihuela, Alicante. As memórias de Amalia Domingo Soler foram escritas em 1891, sob orientação do Padre Germano. Até aquela data ela tinha escrito 1286 artigos, que foram publicados em periódicos na Espanha e no exterior: "El Critério" e "El Espiritismo", de Madri; "La Gaceta de Cataluña", "La Luz del Porvenir" e a "Revista de Estudos Psicológicos" de Barcelona;" La Revelación", de Alicante; "El Espiritismo", de Sevilha; "La Ilustración Espirita", do México;" La Ley del Amor", de Mérida de Yucatán; "La Revista Espiritista", de Montevidéu; "La Constancia", de Buenos Aires; os" Annali dello Spiritismo" na Italia;" El Buen Sentido", de Lérida e outros dos quais não há mais registro.

Em 29 de abril de 1909, de Barcelona, Amália retornou ao plano espiritual, o que não significa que se afastou de seu labor em prol do Espiritismo. Em 10 de julho de 1912, por intermédio da médium Maria - que colaborou com ela em vida, substituindo Eudaldo - completou suas memórias e, recentemente, nas viagens do médium Divaldo Pereira Franco à Espanha, tem transmitido mensagens de orientação e encorajamento aos espíritas espanhóis. O Espiritismo na Espanha continuaria a progredir até as vésperas da Guerra Civil de 1936-1939, quando o conflito latente desde a regência de Maria Cristina entre uma Espanha que queria ser moderna e uma que sonhava com o passado, transformou-se em uma sangrenta guerra civil.

As proporções do conflito, se hoje não causam espanto, é porque foram eclipsadas pela II Guerra Mundial, imediatamente posterior. Ao final desta guerra civil, a Espanha mergulhou nos 40 anos da ditadura do General Franco, que tudo fez para abafar qualquer idéia que não se enquadrasse na visão de mundo de seu regime. O Espiritismo, perseguido e jogado na clandestinidade, porém voltou a surgir imediatamente ao fim do regime franquista, em uma Espanha nova, liderada por políticos mais maduros e por um rei esclarecido e humano, Juan Carlos I.

O balanço da obra de Amália Domingo Soler é difícil de se fazer, pois os seus frutos ainda continuam surgindo. O movimento espírita espanhol do final do século XIX, obra de Amália e de outros grandes pioneiros, como Fernandes Colavida e Miguel Vives y Vives, abrigou o primeiro congresso espírita internacional em 1888, influenciou os movimentos nascentes nos vários países de língua espanhola da América Latina e - como precedente histórico - é a base para o atual renascimento do espiritismo espanhol. Seus artigos são hoje, como foram ontem, exposições claras e diretas do Espiritismo. Fieis interpretes da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. Lidos e veiculados pelos meios de comunicação modernos, entre eles a Internet.

Bibliografia

A Serviço do Espiritismo (Divaldo Pereira Franco na Europa), Nilson de Souza Pereira e Divaldo Pereira Franco, editora Leal, Bahia, Brasil;

Historia de España, Jose Terrero, Editorial Ramón Sopena, Barcelona, España;

Historia de Sevilha, José Maria de Mena, Plaza & Janes Editores, Barcelona, España;

La Luz del Camino, Amalia Domingo Soler, Editora Espírita Allan Kardec, Málaga;

La Luz del Porvenir, Amalia Domingo Soler, Editora Espírita Allan Kardec, Málaga;

Memórias de una Mujer, Amalia Domingo Soler, Editora Amelia Boudet, Barcelona, Espanha;

Memórias del Padre Germán, Amalia Domingo Soler, Editora Amelia Boudet, Barcelona, Espanha;

Minha Vida, Amalia Domingo Soler (trad. das Memórias por Isolina Bresolin Vianna e Wallace Leal V. Rodrigues), Casa Editora O Clarim, Matão, Brasil;

Fonte: Site www.espiritismogi.com.br

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